4 livros para refletir sobre o Dia Internacional da Mulher

Adriana Barbosa, Rachel Maia, Michelle Obama e Angela Davis são escritoras pretas em que suas vozes são exemplos e resistência.

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Livros de mulheres pretas
Livros de mulheres pretas

Em 8 de março de 1917, 90 mil operárias russas percorreram as ruas reivindicando melhores condições de trabalho e de vida, ao mesmo tempo em que se manifestavam contra as ações do Czar Nicolau II. Esse evento, que deu origem ao Dia Internacional da Mulher, ficou conhecido como Pão e Paz, uma vez que as manifestantes também lutaram contra as dificuldades decorrentes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Mas já alguns anos antes, em 1908, houve uma greve das mulheres que trabalhavam numa fábrica de confecção de camisas chamada Triangle Shirtwaist Company, localizada em Nova York. Essas trabalhadoras costuravam cerca de 14 horas diárias e recebiam entre 6 e 10 dólares por semana. Com a greve, além de reivindicarem melhores condições de trabalho e diminuição da carga horária, buscavam aumento de salários. Isso porque naquela época, os homens recebiam muito mais do que as mulheres.

Mais de 100 anos depois, tivemos muitos avanços em relação à igualdade social das mulheres, mas seguimos ainda com a diferença salarial em virtude do sexo. Inclui nisso o números alarmantes de violência sexual e doméstica, feminicídio, assédio no transporte público, machismo, entre tantos outros problemas.

Segundo a pesquisa Viver em São Paulo: Mulheres, da Rede Nossa São Paulo, pelo quarto ano consecutivo o transporte público é o espaço de maior risco de assédio para mulheres. Assim, o resultado dessa pesquisa reflete a violência generalizada contra a mulher, nos mais diversos ambientes.

E para refletir ainda mais sobre as condições da mulher em nossa sociedade, o e-Urbanidade selecionou quatro leituras de mulheres: executivas, empreendedoras e ativistas.

Dessa forma, elas contam suas histórias de sucesso e contribuem para o debate perante a equidade de gênero, empoderamento feminino e carreiras de alta performance. Que para além desta data, a partir dessas produções, mulheres das mais diversas áreas, possam se enxergar enquanto protagonistas de suas narrativas. Confira:

#1 – Preta Potência: Como a resistência e a ancestralidade me ajudaram a criar o maior evento de cultura negra da América Latina, de Adriana BarbosaEditora Harper Collins

Criada por Adriana Barbosa, em 2002, hoje a Feira Preta é o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina. Reúne anualmente milhares de pessoas interessadas em valorizar e empoderar produtores e artistas negros em meio a muita música e dança.

Este livro conta a história das inúmeras lutas travadas diariamente para a realização desse sonho, não só por Adriana, mas por milhares de pessoas. Uma história que começa lá atrás, na época da escravização, e envolve uma imensa coletividade engajada em dar visibilidade e força a um povo que o Brasil insiste em subjugar.

#2 – Meu Caminho Até A Cadeira Número 1, de Rachel Maia – Editora Globo Livros

Conquistar um cargo de diretoria é algo distante para a maior parte da população brasileira. Imagine, então, quando se é mulher, negra e periférica.

Além da desigualdade entre homens e mulheres, a cor da pele poderia colocar Rachel Maia, hoje uma das executivas de maior prestígio no Brasil e no mundo, fora do jogo. Com um perfil diferenciado dentro do mundo corporativo, a trajetória de sucesso e pioneirismo da executiva é contada nas páginas de seu primeiro livro.

Rachel mostra um lado menos corporativo e divide com os leitores a vida, os estudos e convicções sobre o mercado de trabalho, diversidade e como acreditar em si própria – mesmo com os momentos de dúvida. Da infância pobre até assumir o cargo de CEO em grandes multinacionais, ela fala dos amigos, da maternidade, da família e dos aprendizados herdados dos pais, do preconceito, da sua fé, dos erros e acertos desta desafiadora jornada.

#3 – Minha História, de Michelle ObamaEditora Objetiva

Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, da ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. Uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo.

Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta a sua história, conforme viveu — em suas próprias palavras.

#4 – Angela Davis – Uma autobiografia – Boitempo Editorial

A obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Angela Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária. Ocupação interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século XX. E a colocou, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI.

A falsidade das acusações contra Davis, sua fuga, a prisão e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo são comentados em detalhes. Fundamental para quem saber mais sobre essa mulher que marcou a história mundial com sua voz e luta.

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